Recursos humanos: como trazer mais agilidade para o setor?

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Há algum tempo, o setor de Recursos Humanos já não é mais visto como um departamento apenas para cumprir rotinas burocráticas, mas como braço da estratégia de negócios. Isto é, recrutamentos, avaliações e treinamentos, tudo está voltado para que a organização concretize seus planos e metas.

Nesse contexto, a agilidade e inovação são valores a serem refletidos nos processos, atividades e rotinas. As velhas estruturas e práticas precisam dar lugar a ações compatíveis com um cenário de mudanças rápidas e constantes, como é o mundo de hoje. E isso, logicamente, passa a ser uma preocupação dos profissionais.

Se você quer aprender mais sobre o RH ágil e conhecer boas práticas para implementar na sua empresa, continue a leitura deste conteúdo. Ao longo texto, trouxemos uma série de dicas que serão úteis no seu dia a dia.

Qual é a importância de um RH ágil e inovador?

Com os avanços tecnológicos, as empresas existem em um cenário de baixa previsibilidade. Para se ter uma ideia, tornou-se comum caracterizar a atualidade com a sigla VUCA, utilizada no meio militar para definir cenários voláteis (volatility), incertos (uncertainty), complexos (complexity) e ambíguos (ambiguity).

Isso significa que ter estruturas internas excessivamente rígidas e conservadoras pode rapidamente distanciar o negócio da realidade. Afinal, os processos previstos para “X” deixam de ser válidos quando as circunstâncias mudam, e o contexto se transforma em “Y”.

Ora, você provavelmente vivenciou essa característica recentemente. Em 2019, ocorreu o fim da implementação do e-Social nas empresas privadas, logo, os profissionais de RH tiveram de se adaptar ao sistema. Ocorre que, já em 2020, o sistema será modificado, separando-se as áreas fiscal e trabalhista. 

Perceba que a capacidade de enfrentar a mudança e adaptar-se ao cenário prevalece sobre um planejamento rigoroso e a tentativas de antecipar o futuro. É por isso que o RH precisa ser ágil e inovador: focar em pessoas e ações, visar a solução de problemas, colaborar com o destinatário e responder às transformações e mudanças.

Como otimizar a gestão de Recursos Humanos?

No tópico anterior, você viu alguns dos princípios ágeis. A questão, agora, é como usar essas diretrizes para gerar mudanças concretas na gestão de Recursos Humanos. Logo abaixo, apontamos seis práticas que podem ser um excelente ponto de partida. Prossiga!

Integre processos

Diferenciação e integração são duas maneiras de criar sistemas em uma empresa. A primeira busca a especialização, como divisão em departamentos, processos e rotinas próprias para cada assunto; já a segunda, a agilidade e compartilhamento de informações.

Uma das formas de conferir velocidade a um setor é reverter diferenciações, especialmente as excessivas. Em vez de ter um time para cuidar da burocracia, outro para recrutar e um terceiro para avaliar, enxugue o organograma e tenha uma única estrutura.

Também é importante contar com um software, para que a integração não seja apenas um gesto simbólico. De nada adianta juntar todos os segmentos em uma sala se cada atividade é realizada em sua própria planilha, sem que as partes do RH conversem.

Faça avaliações de desempenho

Por sua vez, para estar apto a responder às mudanças e focar na resolução de problemas, é preciso acompanhar as demandas existentes em cada momento. Isso passa por avaliações de desempenho que não ocorrem apenas “por fazer”, mas que realmente capturem as necessidades e as variações de necessidade do capital humano.

Além disso, o foco deve ser a melhoria contínua dos avaliados, especialmente por meio de feedbacks. Afinal, os colaboradores também precisam ser mais céleres e adaptáveis no seu dia a dia, com o objetivo de atender às exigências do trabalho na Era da Informação.

Invista em treinamentos

Mais importante, ainda, é não deixar a qualificação profissional ser uma iniciativa exclusiva dos colaboradores. Uma vez identificada a necessidade de competências, é preciso oferecer programas de treinamento e encorajar a participação para aumentar o conjunto de competências da organização.

Também é relevante focar nas soft skills. Muitas vezes, agilidade e inovação requerem mais comportamentos e atitudes do que conhecimento técnico, como criatividade, flexibilidade e adaptatividade, e essas características precisam ser consideradas pela educação corporativa.

Só assim o setor de Recursos Humanos será um componente que favorece o sucesso da estratégia de negócios, ou seja, uma vantagem competitiva. Não basta ter um bom plano sem contar com profissionais capazes de concretizá-lo e de responder às mudanças.

Melhore o recrutamento e seleção

Outra transformação relevante é aprimorar a capacidade de buscar talentos no mercado, sempre que não seja possível desenvolver as competências internamente. A boa notícia é que a área de recrutamento e seleção de pessoas foi um das que mais receberam inovações tecnológicas: portais de vaga, triagem automática de currículos, softwares para aplicar técnicas de seleção etc.

Foque no clima organizacional

O ambiente de trabalho também deve ser uma prioridade de investimento, preservando um clima ameno e motivador. A ideia é depender cada vez menos de hierarquia e imposição, orientando as ações para engajar, dar significado ao trabalho e promover a colaboração.

Nesse processo, definir líderes será fundamental. Diferentemente de quem é apenas chefe, esses profissionais movem as pessoas porque inspiram, encorajam e oferecem uma direção segura, principalmente diante de problemas e imprevistos.

Inclua toda a equipe

A transformação do RH deve ser um projeto coletivo, e não apenas a proposta de um único gestor ou analista. Afinal, é necessário entender quais são os pontos de melhoria e formular propostas de mudança, o que é mais fácil com a contribuição de todos.

Na prática, há diferentes ferramentas para promover essa participação:

  • reuniões para coletar feedback, levantar propostas e criar planos de ação;
  • divisão da equipe em grupos de trabalho, para que cada time elabore projetos;
  • criação de uma força-tarefa com representantes das diversas áreas do RH e, até mesmo, da empresa.

Por que você deve mudar o mindset do setor?

Em seu livro “Gestão de Pessoas: o novo papel dos Recursos Humanos nas organizações”, 3 ed., Idalberto Chiavenato traça um panorama sobre a necessidade de mudança nas empresas:

Em uma época em que todos dispõem da informação em tempo real, são mais bem-sucedidas as organizações capazes de tomar a informação e transformá-la rapidamente em uma oportunidade de novo produto ou serviço, antes que outras o façam.

O capital financeiro deixou de ser o recurso mais importante, cedendo lugar para o conhecimento. Mais importante do que o dinheiro é o conhecimento, como usá-lo e aplicá-lo de maneira rentável.

Nesse sentido, um RH preso a velhas estruturas e práticas não consegue oferecer vantagens competitivas. Consequentemente, será uma fraqueza para a organização diante de concorrentes adaptados às características do mundo de hoje.

Sendo assim, ao tornar o setor de Recursos Humanos mais ágil e inovador, você liderará um processo relevante para sua empresa, contribuindo para a sobrevivência e o crescimento do negócio.

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